Sobre chacina, secretário de Temer diz que “tinha era que matar mais”

BRASIL

  • Publicado em 2017-01-07

  • |
  • Atualizado em 07/01/2017 02:18

  • Sobre chacina, secretário de Temer diz que “tinha era que matar mais”

    Ao comentar o massacre carcerário em Manaus, o secretário nacional de Juventude, Bruno Júlio (PMDB), diz que “tinha era que matar mais”. 

    — Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana.

    Bruno Júlio é filho do ex-deputado federal Cabo Júlio (PMDB), hoje deputado. É também presidente licenciado da juventude do PMDB. A briga entre facções criminosas no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) deixou 56 mortos, entre os dias 1º e 2.

    Para justificar seu ponto de vista, o secretário compara a chacina ocorrida em Campinas (SP), em uma festa de réveillon, quando 12 pessoas foram mortas pelo ex-marido de uma das vítimas, que se matou em seguida.

    — Isso que me deixa triste. Olha a repercussão que o presídio teve e ninguém está se importando com as meninas que foram mortas em Campinas. Elas, que não têm nada a ver com nada, que se explodam. Os santinhos que estavam lá dentro, que estupraram e mataram: Coitadinhos, oh, meu Deus, não fizeram nada! Para, gente! Esse politicamente correto que está virando o Brasil está ficando muito chato. Obviamente que tem de investigar, tem que ver…

    Na madrugada desta sexta-feira (6/1), pelo menos 33 presos foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima. A maioria deles foi decapitada.

    Bruno Júlio diz que a ex-presidente Dilma reduziu em 85% a verba para presídios e defende uma das propostas do ministro Alexandre Moraes (Justiça). Diz que se deve separar os presos por tipo de crime e periculosidade. Cita experiência na área:

     — Trabalhei na Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) em Minas. Tem muita gente que consegue mudar de vida.

    Na quinta-feira (5/1), o presidente Michel Temer se manifestou pela primeira vez sobre o caso de Manaus. Disse que a chacina foi um “acidente pavoroso”. A declaração repercutiu mal e o peemedebista usou as redes sociais para se justificar. “Sinônimos da palavra ‘acidente’: tragédia, perda, desastre, desgraça, fatalidade”, escreveu.

    Bruno Júlio diz que “infelizmente” a secretaria pouco pode colaborar sobre as chacinas. Cita que o governo lançará, em março, um programa que implantará centros de juventude no Brasil direcionada à mulher e à qualificação profissional dos jovens . Serão 50 centros como “piloto”, instalados em pontos de maior incidência de jovens mortos, segundo o Mapa da Violência.

    Por meio da assessoria de imprensa, o Planalto disse que o secretário foi cobrado sobre as declarações. Alegou ainda que ele não tem autorização para falar sobre o assunto e não expressa a opinião do governo. Internamente, começou a pressão para que Bruno seja exonerado. Depois da repercussão, o secretário procurou a coluna para alegar que estava “brincando”.

    O GLOBO

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